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Transformações na moda no início do século XX

novembro 8, 2011

A moda é um produto das mudanças sociais, políticas, econômicas e artísticas de cada período da história humana. Os pontos de viradas, ou transformações do modo de se vestir são muito interessantes de serem observados para exemplificar o que disse.

Num episódio recente da segunda temporada da série inglesa Downton Abbey, ambientada entre 1914-1919 e escrita por Julian Fellowes  roteirista oscarizado pelo filme “Assassinato em Gosford Park” (2001), uma cena me pareceu muito interessante. Os personagens principais conversam sobre o fim da Primeira Guerra Mundial e as transformações nos hábitos diários, que isso provocou. O lord usando uma casaca, comenta sobre o recém lançado smoking como uma opção para eventos sociais noturno, o que se segue por uma conversa das mulheres comentando sobre a nova silhueta dos vestidos franceses, mas curtos e a masculinização de algumas peças. Tudo isso produto definitivo da guerra e da entrada das mulheres no mercado de trabalho.

Assista abaixo a sequência e aproveite para ver a seleção de imagens das décadas de 10 e 20 já publicadas no blog.

Essa cena me remeteu ao trecho do conto “O velho cavalheiro”, da obra “Sete contos Góticos” publicada na década de 30, da autora dinamarquesa Karen Blixen, celebre por “A festa de Babete” e a “A fazenda africana, ambas criações adaptados para o cinema. No texto, que reproduzo, um velho barão reflete com saudades sobre as roupas das mulheres durante a Belle Époque e lamenta as modernizações dos trajes femininos.

Karen nasceu entre aristocratas em 1885, possuiu o título de baronesa, viveu no Quênia como fazendeira de café, se tornou uma escritora modernista, viu de perto as transformações na sociedade e da moda no início do século XX. Sua obra sempre aborda esses aspectos.

Karen Blixen - 1960

“Que tipo de roupa usam as mulheres de hoje? Em si mesmas, tão escassas quanto possível – umas poucas linhas perpendiculares, recortadas antes que possam desenvolver qualquer sentido. Não se nota nelas nenhum plano. Elas existem apenas em função do corpo, e não possuem vida própria, por assim dizer, ou melhor, se têm algum propósito, é o de revelar o corpo.

Naquela época, porém, o corpo de uma mulher era um segredo que suas roupas esforçavam-se ao máximo para preservar. Mesmo sob tempo ruim, costumávamos vagar pelas ruas na esperança de vislumbrar um calcanhar, cuja visão é tão banal para vocês jovens de hoje, quanto as hastes daquelas nossas taças de champanhe. Naqueles tempos as roupas tinham um ser, uma concepção própria. Com uma serenidade quase sempre imperturbável, elas tinham como objetivo transformar o corpo que envolviam, criando uma silhueta tão distante da sua forma real a ponto de fazer desta um mistério cujo desvendamento era um privilégio divino.”

“(…) Imagine quão diversa a vida devia aparecer e ser sentida para as criaturas que viviam naqueles corpetes apertados, no interior dos quais mal conseguiam respirar, e no meio de tantos metros de panos que arrastavam consigo sempre que caminhavam ou se sentavam -criaturas que jamais sonhavam que a vida poderia ser diversa, sobretudo comparada às jovens atuais, vestidas com roupas que mal tocam e não ocupam nenhum espaço. Naquela época, a mulher era um obra de arte, produto de séculos de civilização…” (pags. 106 – 107)

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  1. outubro 27, 2013 1:20 pm

    coloq mais imagens

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