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Mergulho no guarda-roupa do verão:sensações,memórias e possibilidades

novembro 19, 2010

Quando você abre o seu guarda-roupa o que sente: tédio ou muitas possibilidades só esperando para se tornar reais em seu corpo? Creio firmemente que devemos ter uma relação de intimidade com nossas roupas, de puro prazer. Vê-las como expressões de nossa subjetividade. Podemos vestir personagens, deixar que memórias e sensações nos guie nas escolhas. Por que será, que nos distanciamos tanto disso e começamos a complicar demais o ato de vestir essa nossa segunda pele?

O verão deve a ser a estação,cuja chegada simbólica mais me comove. Ela está conectada diretamente as melhores lembranças da infância, da liberdade das férias,do mês inteiro longe da cidade e na praia.Me referi a chegada simbólica no sentido da marcação cronológica, final do ano, porque viver em Salvador é um eterno verão, que por vezes nos satura.

Engajado nessa tese, que adotei pra mim, ” a roupa é uma idéia que se veste” e pensando nesse calor que nos banha de esperança sensual, decidi fazer um mergulho em meu guarda-roupa. Rever  peças que quero usar durante esse verão e buscando as “razões” motivadoras dessas escolhas.

Pensei que iria adotar o minimalismo monocromático (o militarismo talvez). Sensação: não resisti as cores dos sorvetes, das frutas maduras,da intensidade da luz do dia,da paisagem a minha volta. Possibilidade: todas as opções coloridas das camisas polos combinadas com jeans ou sarja, sejam bermudas ou calça.

As listras do estilo navy são uma obsessão.Estão presentes em camisas,bermudas, calças e bolsa. Sensação: deve ser esse desejo de estar mais perto do mar por mais tempo, de sentir o cheiro da maresia, de viver uma vida aventureira de marinheiro imaginário,sem obrigações e portos conhecidos para chegar.

Essa deve ser a combinação de estampas que mais me lembra a infância. Memória: essas camisas de algodão em manga curta, poderiam ter sido escolhidas pela minha mãe para que eu levasse durante o veraneio. Possibilidades: ideais para o fim da tarde,usadas com bermuda folgada caqui ou azul.Conforme minhas lembranças (como ja dizia Proust “a recordação de uma determinada imagem não é nada mais que a saudade de um determinado instante”) eu vestiria tudo isso com a pele bem bronzeada, cheirando a hidratante, depois de tomar um suco de cajú ou manga e  iria a varanda ver o sol se pôr.

Um blazer azul marinho, de um botão só, e o colar que transformei em um amuleto (por causa do pingente de vidro com sal grosso). Possibilidade:camiseta listrada, calça chino de linho com as barras dobradas e mocassim marrom.Um jantar em um restaurante a beira mar.

Possibilidade: uma chuva, um vento gelado vindo do mar a noite e um frio gostoso depois de tanto sol.Uma camisa jeans clara abraça uma western rosa em cambraia. Sensação: uma proteção leve, fácil de tirar.

6 Comentários leave one →
  1. novembro 21, 2010 11:47 am

    o texto leve e gostovo!!, nostálgico… faz a gente dar uma volta no tempo!!adorei!!!

  2. novembro 21, 2010 11:48 am

    o texto leve e gostoso!!, nostálgico… faz a gente dar uma volta no tempo!!adorei!!!

  3. Samuel Mendes Vieira permalink
    novembro 21, 2010 11:24 pm

    “Uma rede de roupas pode efetuar as conexões do amor através das fronteiras da ausência, da morte, porque a roupa é capaz de carregar o corpo ausente, a memória, a genealogia, bem como o valor material literal”(STALLYBRASS, 2008, p. 26). Mais uma vez eu escrevo porque o texto me tocou a senbilidade! Abrir o guarda-roupas é como abrir um mundo inteiro de possibilidades, conectá-las é como costurar um colcha de retalhos das nossas possibilidades de ser todos os dias novas pessoas preparadas para o novo dia. O ato de vestir é nossa única possibilidade material de comunicarmos silenciosamente o que tem “cá dentro do peito”!! Percepcionar objetos é o tempo todo recuperar nossas lembranças, por isso digo sempre para aqueles que criticam minha eterna mania de guardar um perfume, um pedaço de renda da combinação da minha madrinha, a roupa de batismo de meu pai, enfim, mil coisas… “do meu naufrágio, salvei os objetos do cotidiano.” Adoro seus textos!! (Já leu ” O casado de Marx” de Peter Stallybrass? Se não, então faça isso!!) Abraço!!

    • Leo Amaral permalink*
      novembro 21, 2010 11:43 pm

      Samuel,

      Obrigado pelo comentário, ele promoveu um ótimo dialogo com o meu post. Vou procurar essa dica de leitura que vc sugeriu.Grande abraço.

  4. Samuel Mendes Vieira permalink
    novembro 22, 2010 2:48 pm

    Oi, que bom que o comentário agradou! Gosto sempre de olhar os blogs que gosto e que esporadicamente comento!! Gostei mesmo de saber que o cometário teve uma conexão com o que pensou ao escrever! O nome do livro que indiquei é “O Casaco de Marx” de Peter Stallybrass, ed. Autêntica, é que saiu errado o nome no comentário, peço desculpas! Abraço!

    • Leo Amaral permalink*
      novembro 22, 2010 5:00 pm

      Samuel, procurei o livro na internet e encontrei. Fiquei tão interessado que já fiz o meu pedido! Quando tiver lido farei um post sobre aqui.Grande abraço e sinta-se sempre bem-vindo a visitar o blog.

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