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Um samba carioca para o desejo brasileiro

novembro 17, 2010

Um amigo e leitor do blog, Jeferson Ribeiro, aqui de Salvador, foi as compras e conta pra gente o que achou das roupas masculinas da coleção Rio de Janeiro, feita por Oskar Metsavaht para a Riachuelo. Aproveita e veja também o catálogo  virtual dela (muito bem realizado). E você leitor do blog, quem sabe se anima com esse post a participa, mandando sugestões ou textos para o coolintheatblog@gmail.com.

Quando os primeiros tweets fashionistas, sobre a coleção do Oskar Metsavaht aka OSKLEN para a Riachuelo, começaram a aparecer freneticamente na minha timeline entendi o quão louco é o desejo. Sim, o desejo e não a idéia de massificar o conceito da Osklen.Tantas outras parcerias já aconteceram, mas nenhuma tinha um DNA tão presente quanto essa. Não se pode desassociar a imagem da criatura e do criador, estava ali a oportunidade de se ter um pedacinho da praia do Oskar, sem precisar dividir em milhares de grãozinhos no cartão de crédito.

O desejo me levou à loja, cedo, para não correr o risco de não tocar em toda a coleção, sentir cada tecido e verificar cada costura. Deu pra provar quase todas as peças, desde as calças de alfaiataria com um linho leve, bem gostoso (claro que não tão quanto o da OSKLEN e nem politicamente correto, enfim…), até as camisetas com poucos acabamentos e um desleixo sedutor que só os cariocas sabem ter.

A inspiração transita pelas ruas do Rio de Janeiro como um filme, registrando o cotidiano da cidade, sua dependência do mar e cosmopolismo simples, e contraditoriamente, sofisticado. Peças que remetem ao último desfile da Osklen são as grandes estrelas da coleção, como os efeitos OMBRÈ nas camisetas e bermudas. Só perdi um pouco do desejo ao ver as estampas, não consegui ver nelas a energia que a coleção passava, ficou faltando sair do papel a aspiração pelo “irresistível”, como eles falam no catálogo.

Mesmo assim, fui conquistado por uma estampa que parecia ter saído da coleção que falava do surf na cidade e tinha uns grafismos de neon em movimento. Ela estampava os biquínis e uma mochila, a qual não resisti e comprei para “surfar” nas ruas. De longe a peça que mais me encantou na coleção, por ser de tecido de biquíni dublado e lembrar o neoprene.

Não poderíamos esperar que o material fosse um linho orgânico ou uma malha de pet, bambu ou afins, mas tem a qualidade que o público da Riachuelo está acostumado. O shape é bem característico da Osklen, experimentações de volumes e recortes, ora interessantes ora desnecessários. Os looks são bem simples, dispensando qualquer dúvida ao vestir e transformando qualquer garoto, sem a mínima noção de estilo, num “menino do Rio”.

O desejo tirou da cama milhares de pessoas que queriam ter o perfume da Osklen em seu armário (sim, o aroma das peças era o mesmo das lojas do Oskar) e fizeram filas por todo o Brasil. Só posso pensar na coleção como um samba carioca, feito da praia olhando para o morro: ritmado, morno e internacionalizado.

 

One Comment leave one →
  1. novembro 17, 2010 9:27 pm

    Jeff arrasou no texto!! Meu sentimento em relação a coleção do Oskar é mesmo!!

    Só destaco que a coleção é do Oskar, e não da marca Osklen… Mas é claro que não dá para separar o criador da criatura, nem em estilo. Aliás… na etiqueta tambem não existem vestigios da Riachuelo, perceberam? Discreta (e sábia) decisão.

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