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CONVERSA COOL:GRAHAM COTTENDEN, GUARDIÃO DA ALFAIATARIA

novembro 4, 2010

A alfaiataria nasceu na Inglatera no século XVI, possui uma rica e expressiva história. Os profissionais que desenvolvem esse antigo e belo ofício são poucos no mundo inteiro, o que a põe em risco diante dos processos modernos de manufatura do vestuário. O professor inglês Graham Cottenden é um dos maiores especiailistas no assunto, ele mesmo um alfaiate, se dedica a preservação desse patrimônio da humanidade.

Aproveitando sua vinda ao Brasil para uma série de palestras gratuitas, fizemos uma rápida entrevista com ele via e-mail. O assunto principal é a evolução da alfaiataria masculina nos últimos séculos. Serve como uma boa introdução ao conteúdo das suas apresentações e aguça a vontade de conferir de perto o que ele tem para nos ensinar.

1)A alfaiataria masculina mudou muito ao longo de sua história? Quais momentos nessa história você apontaria como representativo de momentos de mudanças?

Como a moda de forma geral, alfaiataria masculina não está isenta de mudanças. Houveram algumas mudanças significativas no início do século XIX, os alfaiates se esforçavam em atenderem a necessidade de conseguir uma silhueta mais próximo ao corpo e por causa disso esse período viu um aprimoramento dos métodos utilizados pelos alfaiates para conseguirem isso.

2)Existem peças do guarda-roupa masculino que continuam imutáveis?

Não acredito que exista alguma peça assim. Apesar disso, desde 1660 os homens continuam usando o terno de três peças (palitó, colete e calça).

3)A figura do dândi está retornando a moda com uma força muito interessante. Estilistas fazem coleções inspirados nesse homem do século XIX. A que você credita a retomada dessa personagem? O que ele teria a dizer ao homem contemporâneo?

Ele poderia muito bem dizer “nada muda!”. Tivemos dândis de um tipo ou outro em todos os períodos. O homem sempre se esforçou para se expressar e utilizar as roupas para isso, não é uma exceção. Eu acredito que o dândi estaria interessado nos avanços da produção têxtil e na maior qualidade dos tecidos que temos agora.

4)A alfaiataria masculina clássica tem sido constantemente revisitada com novas modelagens e interpretações. Você acredita que esse é um caminho para modernizar o guarda-roupa masculino?

A alfaiataria masculina clássica não está desaparecendo. No entanto, aqueles que a produzem querem constantemente “reinventar a roda”, porque querem seguir a vontade da sua sociedade que exige continuamente algo novo. O guarda-roupa masculino sempre será moderno e de seu tempo, a medida que refletir as mudanças que o seu período histórico trouxer.

5)Quais são as suas preocupações com relação ao momento que a alfaitaria vive atualmente e ao seu futuro?

Muitas ofícios baseados em habilidade manuais estão em perigo de desaparecer devido aos grandes avanços tecnológicos, que temos testemunhado nos últimos 30 anos. Eu e os outros nos esforçamos para manter a alfaiataria em evidência, na esperança de que os nossos alunos queiram continuar a aprender as técnicas tradicionais, de modo que uma nova geração ainda possa ter essas habilidades nos próximos anos. Quanto tempo isso vai durar é uma questão em aberto, pois já existe formas de se fazer um  terno masculino sem que a mão humana o tenha tocado. Muitas vezes é uma questão que também depende do tipo de traje que o consumidor prefere usar e da capacidade que o  mercado tem a oferecer.

 

One Comment leave one →
  1. julho 16, 2013 6:26 am

    Materia escrita com competencia e elegancia.

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