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POLÍTICA,ARQUITETURA E SOLIDÃO NOS EDITORIAIS DA GQ COREIA

novembro 1, 2010

As imagens dos editoriais de moda são poderosos instrumentos de comunicação. Eles vendem muito mais que roupa e convenhamos são mais interessante quando não se preocupam em vender. Lembro da conversa do editor de moda Paulo Martinez, no Pense Moda, em Salvador, quando ele defendeu que os editoriais deveriam construir histórias complexas que nos provoque.

Com a internet e a possibilidade de ter acesso a tantas imagens e revistas de várias partes do mundo, o que Susan Sontag diz em seu livro “Sobre fotografia”, sobre a atividade fotográfica é ainda mais interessificado “… o resultado mais extraordinário da atividade fotográfica é nos dar a sensação de que podemos reter o mundo inteiro em nossa cabeça – como uma antologia de imagens.” Temos a impressão de que podemos interpretar as culturas de diferentes países através da forma como tratam as imagem. Isso me ocorreu recentemente quando vi editoriais produzidos pela versão sul coreana da GQ.

Fica evidente o bom gosto visual e o minimalismo. Elas são simples, extremamente limpas e com alta carga simbólica. Selecionei dois editorias em que esses aspectos se destacam e me estimularam a uma interpretação pessoal, que pode não ser a exata, mas no fundo dialoga com as minhas referências, fazendo o que toda boa obra deve fazer, instigar a imaginação.

O primeiro é o belo registro feito na fronteira entre a Coreia do Norte e do Sul, em um monumento que preserva destroços da guerra, ocorrida na década de 50. Os modelos usam roupas em cores que se harmonizam perfeitamente com o cenário (tons terrosos,chumbo, cinza,azul escuro) e que expressão a sensação de abandono. Separação, solidão, vazio e tristeza são sentimentos despertados durante atos de violências extremos como a guerra, nítidos nas imagens. Política é abordada por um veículo, comumente classificado como alienado e alienante, de forma sutil.

As linhas retas da arquitetura moderna e a solidão urbana são abordadas nessa segunda sequência de fotos. Feitas em sacadas de dois apartamentos vizinhos. Contam a história fragmentada de dois homens diferentes em seus estilos de vida, mas que “compartilham” aquele pequeno espaço simbólico por revelar suas intimidades ao exterior. Percebem que as roupas são usadas como figurino, funcionando apenas para demarcar os contraste entres eles. As imagens me remetem a estética das obras do pintor norte-americano Edward Hopper, especialista em retratar pessoas condenadas a solidão (mesmo quando acompanhadas) em cenários urbanos.

 

 

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