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Ciclos, movimentos sociais e New Romantic

setembro 2, 2010

Incrível como a discussão sobre o novo na atualidade sempre se encontra alçado em colagens, revisitas e ciclos.  Pesquisando sobre o que aqui chamei de New Romantics, fundado na idéia central de que algo do apagamento da fronteira homem-mulher e desarticulação do amor, apresentou o dandismo – na moda- e um ar romântico nas ruas como produção do seu tempo, descubro que esta mesma nomeação foi utilizada nos anos 80 para dar conta de um movimento musical e cultural que atingiu, sobretudo, a Irlanda e o Reino Unido.

 

Tratava-se, naquele momento, de uma oposição à cena londrina do Anarquismo Punk, cuja indumentária denotava fragmentação do laço social, descrença no Estado e o impulso niilista de destruição das formas de convívio.  Surge dos clubes, da vida noturna, o desejo e necessidade da recriação de uma estética que resgatasse o drama, e, para tanto, fabricou-se uma cena associada a períodos históricos clássicos. Glamour, beleza, luxúria e narcisismo estavam, novamente, em pauta.

Os mais entendidos em música já devem ter ligado os pontos: é o surgimento do New Wave? Quase isso! Frente a devastação punk, que indicava que algo estava mal, que as estruturas não tinham fundação, não se sustentando, algo de parnasiano advém das ruas, indicando a necessidade de alguma mediação. Afinal, indicar a impotência da lei como liga revigorante do tecido social e dar às claras da imundice dos laços humanos,  a corrupção e ausência de liberdade no liberalismo, com qual propósito?

A estética, podemos pensar, se furta da indicação que irrompe rasgando, com a criação da fantasia, algo a ser utilizado, fazendo anteparo – uma defesa? – e  é justamente de fantasia que se tratava os New Romantics. A estética é uma blindagem.  E quem as produzia em tecido, neste tempo,  eram Vivienne Westwood, Colin Swift, Stevie Stewart and David Holah. Time de peso.

Richard James Burgess foi o inventor desta terminologia para dar conta da cena musical representada por Bow Ow Ow, Duran Duran, Culture Club, Adam and the Ants, Visage, Spandau Ballet (e pode-se colocar aqui mais trocentas bandas), cuja influencia referencia Bowie e Roxy Music. Delicious! Como Steve Albini, aquele quem conseguiu, junto a muitos outros, fazer da insurgência social de Seattle nos anos 90, personificá-la em indumentária, comportamento e forma, Burgess foi quem cumpriu essa função neste momento.

 

Pessoalmente, os movimentos musicais que implodem desde a população cansada, cujas vivências denunciam a ineficiência de qualquer coisa, sempre me apeteceu mais, e, não a toa, as guitar bands de 90 foram formadoras do meu caráter, e delas descobri o No Wave – que já é a contraposição do New Wave, cena composta por intelectuais e músicos -, e até mesmo o punk. É a contestação que me interessa – seja niilista ou não. Entretanto, se eu fosse divagar com mais labor e paciência, é possível traçar uma linha contingente e paralela entre a mobilização social denunciativa e sua posterior nomeação, seguida – ou mesmo acompanhada – de um contraponto fundamentado na reparação estética apaziguadora, fantasiosa. Pro Punk, o New Wave; pro New Wave, o No Wave; e esta série assume proporções infinitas.

Num tempo em que há declaradamente o predomínio da estética sobre qualquer denúncia ou rebelião, em que os movimentos musicais e sociais encontram sua criação desde revistas de moda e cujos públicos alvos são criados em análises de marketings , o que há, hoje, que nos faça pensar o refluxo de estéticas antigas? Se formos analíticos e atentos, é possível notar que há um deslizamento ininterrupto de estéticas, metonímico. Há revigoramentos de outrora, porém, aquilo que o causava em cenários longínquos – o real, o feio, o impróprio, o indecente denunciado, dado a ver, incômodo associado as peculiaridades populares sem nome – parece cada vez mais silencioso.

 

 

Se o amor, hoje, pouco fala, New Romantics Urbanos e Atuais,  que estética-blindagem se está resgatando?

2 Comentários leave one →
  1. setembro 8, 2010 11:15 pm

    resumindo ….tudo isso me faz pensar que o mundo gira em um ciclo igual que so muda o tempo em função de novas visões”

  2. COTELGRAMPS. permalink
    setembro 10, 2010 1:05 am

    E o que pode salvar o mundo, ainda, é reciclagem

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