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Conversa Cool: Akihito Hira

abril 15, 2010

O primeiro Conversa Cool de 2010 (estava com saudades dessa seção) é com o jovem estilista de moda masculina, assim como eu apaixonado por alfaiataria masculina: Akihito Hira. Ele impressionou mais uma vez a imprensa especializada com o seu desfile de inverno 2010 em Brasília, durante o Capital Fashion Week, apresentando uma coleção com forte presença da alfaiataria bem executada e ousada. Em maio Akihito vai desfilar no Rio Moda Hype, evento que ajuda a lançar novos nomes da moda.
Nesse momento especial da sua carreira, quando começa a receber o merecido reconhecimento, Akirito respondeu a algumas das minhas perguntas e mostrou saber exatamente o que quer trabalhando com moda masculina. Seguindo um desejo que evoca as lembranças da sua infância, indo contra as pressões familiares, esse descendente de japoneses do interior de São Paulo, que foi revelado em Brasília promete muito. E é sempre bom acompanhar novos criadores que querem deixar a sua marca na moda.
1) Quando e como foi o seu começo como criador de moda?

Meu bisavó era um exímio alfaiate e minha avó uma excelente costureira. Sempre acompanhava minha avó nas lojas de tecido e passava tardes de finais de semana observando a mesa de jantar repleta de moldes e tecidos em formas difíceis de entender. Quando cheguei à adolescência surgiram dúvidas e dilemas naturais de qual carreira seguir. Sob forte pressão de uma família oriental, “optei” pelo curso de Ciência da Computação. No ano de 2000 concluí meu curso e vim para Brasília em busca do meu primeiro emprego. Cinco anos se passaram e foi quando decidi correr atrás dos meus sonhos. Matriculei na primeira faculdade de Design de Moda de Brasília e cursei 1 ano e meio. Tranquei o curso e decidi testar meus conhecimentos adquiridos. Inscrevi no concurso de Novos Talentos do Capital Fashion Week de Brasília em 2008 e apresentei um projeto inédito de moda masculina inspirado no filme “O Paciente Inglês”. Fui escolhido por unanimidade pela curadoria do evento e apresentei minha primeira coleção sob orientação do renomado estilista Jum Nakao. A repercussão do desfile foi tamanha que de cara recebi cinco propostas de compradores internacionais. A partir de então criei a marca AKIHITO HIRA em sociedade com meu amigo Julio Andrade e desfilamos mais 3 edições do Capital Fashion Week e cada um com grandes conquistas e repercussão na mídia nacional e internacional. No final de Janeiro deste ano inauguramos nossa loja e atelier e em Maio desfilaremos nossa nova coleção de verão no Rio Moda Hype.

2)Foi uma aproximação natural sua pela moda masculina? Que contribuição você deseja inserir com sua criação no universo da moda masculina brasileira?

A aproximação pela moda masculina vem desde criança. Meu pai nunca dispensou uma boa alfaiataria. Seus sapatos sempre foram impecáveis e engraxados logo pela manhã antes de ir para o trabalho. Sempre me espelhei na forma que meu pai se vestia e aliada a isso, vislumbrei uma excelente oportunidade de mercado. Os hábitos e a cultura do homem brasileiro passam por um processo de transformação bastante peculiar. Embora os passos ainda sejam tímidos, acredito muito na libertação de paradigmas do código masculino de se vestir. E com essa idéia pretendo questionar e contribuir com minhas criações na transformação de um novo homem.

3)É difícil ter visibilidade fazendo moda masculina no Brasil? Ainda é um mercado restrito tanto para o consumidor, quanto em capacidade de chamar atenção da mídia?

A moda masculina apresenta um processo crescente de reconhecimento e visibilidade no Brasil. Tudo que reflete ousadia e questiona padrões são focos de atenção e o corpo vestido masculino passa por esse momento de exposição.

4)A importância da alfaiataria tem crescido muito entre as coleções de moda masculina no mundo inteiro, tanto um retorno ao clássico, como em experimentações mais casuais. Em suas coleções ela tem um peso enorme. Fale um pouco dessa sua relação com a alfaiataria no seu processo criativo.

A alfaiataria exala elegância e sofisticação na indumentária masculina. O desafio está na tradução dessa alfaiataria para uma linguagem contemporânea e ao mesmo tempo irreverente. Quando inicio o processo de pesquisa das coleções sempre tenho um olhar curioso e investigativo na forma do homem se vestir desde o final do século XVIII ate o início do século XX. Entender a estrutura das peças antigas possibilita o estudo e adequação para as necessidades atuais.

5) Sua coleção de inverno 2010 mistura bem a alfaiataria clássica, com o tema dos candangos, é comportada e também ousada.Você acredita que esta na experimentação da alfaiataria o caminho para modernizar o guarda-roupa masculino?

A subversão da alfaiataria revela os novos caminhos dessa modernização. A comunicação dessa alfaiataria com o homem contemporâneo precisa de uma linguagem mais atual e irreverente, sem ser careta, mas também não possuir uma carga conceitual muito forte, porque esse homem ainda está em fase de transição e conhecendo melhor todo esse novo invólucro. A experimentação da alfaiataria nas diversas formas e modelagens permite a ruptura de padrões e com certeza é uma das maneiras de se modernizar o guarda roupa masculino.

*Fotos do último desfile de Hira no Capital Fashion Week, via site Chic

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