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Breves Divagações: Maquiagem a fronteira final da vaidade masculina?

março 22, 2010

O universo feminino e masculino sempre pareceram bem definidos e impossíveis de se relacionar, ou quando isso acontecia era dentro de uma abordagem estereotipada. As mulheres gostam de moda, fazem de tudo para ficarem mais bonitas, se depilam, fazem plástica, se maquiam. Aos homens cabe gostar de esportes, política, dinheiro e poder.
Sabemos que não tem mais sido assim. Os homens gostam de moda, fazem compras, se depilam, adarem a tratamentos cosméticos, malham, fazem cirurgias plásticas para ficarem mais jovens e agora penetram na que talvez seja a fronteira final para eles: a maquiagem.
A profética frase de Marx e Engels publicada no “Manifesto Comunista”, “Tudo que é sólido se desmancha no ar” nunca foi tão clara, quanto ao ser empregada nesse ruir contemporâneo da separação entre os interesses masculinos e femininos.
Em Salvador houve um evento, em um grande shopping, sobre maquiagem destinado as mulheres para comemorar o dia internacional delas. O que surpreeendeu a todos foi que os homens que acompanhavam as participantes começaram timidamente a pedir dicas de como controlar a oleosidade da pele, esconder olheiras, espinhas, melhoras o tom da pele. E é nesse ritmo mais tímido que começa no Brasil o interesse dos homens por maquiagem.
O sucesso do site Maquiagem Masculina, único sobre o tema no Brasil, demonstra esse interesse dos internautas por dicas de maquiagem, que dever ser feita de forma discreta e imperceptível. Empresas de produtos de beleza como O Boticário, que têm um grande alcance popular, lança aos poucos produtos para que o homem possa corrigir as imperfeições do rosto, seguindo a tendência das grandes marcas européias.
Existem detratores, quem criticam a liberdade do homem de fazer com o seu corpo o que desejar, de experimentar nele métodos de embelezamento antes restritos as mulheres. Criticar os homens que usam maquiagem, ou mesmo, fazer comparações preconceituosas relacionando isso a sexualidade é uma forma de atentar contra a liberdade individual e ao direito de expressão.

Vivemos numa sociedade em crise, no sentido do conflito entre o novo e o velho. Conforme Gramsci a crise ocorre quando o novo ainda não se estabeleceu e o velho ainda não morreu. Um choque entre a imagem que se tinha sobre o comportamento masculino e as novas atitudes e interesses desse homem contemporâneo. O pensamento machista ainda é preservado (tento entre os homens, quanto entre as mulheres), mas os jovens que crescem imersos no mundo digital, na troca rápida de informações, expostos a uma cultura global de moda podem estabelecer uma reforma nesse universo masculino.
A maquiagem masculina é um dos elementos dessa reforma, ou pode ser apenas um símbolo desse momento de transformações da identidade masculina, da sua percepção social, e da volatilidade dos nossos tempos.
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