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Breves Divagações: O eterno retorno do Dândi

fevereiro 26, 2010

O dândi ontem e hoje (George Beau Brummell e a campanha de inverno da H&M)

O aristocrata inglês George Beau Brummell (1778-1840) personificou no fim do século XVIII e
início do século XIX a figura
do dândi. A
migo pessoal do Principe de Gâles e depois rei George IV desfrutava de uma grande reputação na corte inglesa por causa da sua preocupação com o que usava, pelos detalhes sofisticados da sua alfaiataria, a experimentação de tecidos finos e as gravatas de lenço em volta do pescoço. Sua fama era tão grande que o que ele usava se tornava tendência e influenciava os homens.Diziam que levava 5 horas para se arrumar antes de sair de casa.


O dândi é uma figura interessante dentro da história da moda masculina está ligada ao hedonismo, a boêmia artística e ao prazer de se expressar pelo que veste. Charlie Baudelaire, descreveu assim o dandismos em seu livro “Manual do dândi: um estilo de vida” -escrito em conjunto com Honoré de Balzac e Barbey D´Aurevily : “Que é, pois, essa paixão que, transformada em doutrina, fez adeptos poderosos, essa instituição não escrita que formou uma casta tão altiva? É, antes de tudo, a necessidade ardente de se prover, dentro dos limites exteriores das conveniências, de uma certa originalidade. É uma espécie de culto de si mesmo, que pode sobreviver à busca da felicidade a ser encontrada em outrem, na mulher, por exemplo; que pode sobreviver até mesmo a tudo aquilo que se chama de ilusão. É o prazer de surpreender e a satisfação orgulhosa de jamais se surpreender.”

A figura personificada por Brummell e descrita por Baudelaire como um ser em busca de uma vida superiormente interessante, além do estabelecido socialmente, sobrevive num período da história da moda em que o vestuário masculino se tornou sombrio e sem vida.
Gilda de Mello e Souza escreve em seu estudo clássico “O espiríto das roupas”, que no século XIX o estilo do dândi, juntos com outras manifestações de liberdade ao vestir do homem são como “sobreviências de uma era passada, pois a beleza agora se tornou privativo da mulher” (pag.81) .Sobrevivências do modo de vestir masculino nos século XVII e XVII, onde o que se usava significar principalmente o status social e uma arma de sedução masculina.


Continua Gilda “a roupa masculina perdera, no século XIX, sua função ornamental, deixando de ser uma arma de sedução erótica” (pag.74). “O advento da burguesia e do industrialismo, dando origem a um novo estilo de vida; a democracia, tornando possível a participação de todas as camadas no processo, outrora apanágio das elites; as carreiras liberais e as profissões, desviando o interesse masculino da competição da moda, que passa a ser característica do grupo feminino.” (pág.22).


Creio na figura do dândi como uma poderosa metáfora do desejo do homem por se expressar pelo que veste de forma mais autoral. Os dândis continuaram a surgir no decorrer do século XX, principalmente entre artistas.


Agora no século XXI, quando os criadores de moda masculina se desdobram para tomar novos rumos criativos na moda, a alfaiataria clássica se torna alvo de profundas experimentações e testes. O dândi retorna como inspiração para estilistas. O neo dandismo surgiu fortemente como um tendência de moda de rua no Japão, no início dos anos 2000. A fast-fashion H&M usou essa figura em sua campanha de inverno de 2009, assim como a Dolce&Gabbana, para citar algumas. O desfile masculino de John Galliano de inverno 2010 foi a personificação do estilo dândi nas passarelas.


Por que será que o dândi retorna nesses tempos de metrossexuais, unber sexual e uma infinidade de classificações quanto ao estilo de homens contemporâneos? Acredito que o dândi representa uma legítima manifestação criativa do homem, um desejo de manifestar seu prazer de viver pelo que veste e também, porque o corpo masculino não é mais um território vedado a erotização. É um desejo permanente que aflora com mais força agora com integração da comunicação global, onde as influências culturais ultrapassam fronteiras.

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