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Conversa Cool: Lula Rodrigues- 2ª Parte

novembro 9, 2009

Ueba_Segunda parte da conversa com Lula Rodrigues. Nestas últimas perguntas do nosso bate-papo ele fala sobre androgênia, homoerotismo e sua relação com a moda masculina e também sobre os novos estilistas brasileiros que se dedicam a renovar o guarda-roupa dos homens.

3) Temos visto uma quantidade enorme de editorias internacinais de moda masculina flertando com a androgenia e o homoerotismo. O que você percebe por trás dessa tendência?
Androginia e moda andam de mão juntas há muito tempo.Tanto para homens, quanto para mulheres, e um bom exemplo é o visual garçonne , mulheres de cabelos curtinhos e ar de menino.Babe, isso rola desde o começo do século XX, com força na Paris dos loucos anos 20. Se dermos tratos a bola, no entanto, vemos que já rolava desde o século XIX. A coisa aconteceu mais “descaradamente” a partir dos anos 1970, quando virou modismo, foi tragado pela música pop com força no rock e registrado pela boca nervosa da moda. O visual de meninos imberbes e de cabelos compridos muda de nome de acordo com as correntes da moda. Hedi Slimane, durante seu reinado na Dior Homme, bombou meninos andróginos e o mundo copiou. Ele não fez mais do que transportar um visual que David Bowie, e outros roqueiros já haviam exercitado muito antes. Um bom exemplo de visual super contemporâneo, é a capa do livro citado acima(One hundred years od Menswear), com Bowie, de terno amarelo, clicada em 1974. Poderia estar tranquilamente nas páginas da Vogue Hommes Japan. Aliás essa revista está virando referência de moda, como exemplo de revista masculina cult e, gay. Mas na real, o segmento gay é o piloto de provas de novas tendências, isso é uma história longa, que merece um longo papo. Um bom exemplo de menino com cara de menina, e que gosta de meninas, é o Ash Stymest, um moloque inglês, hetero convicto, que não liga quando é confundido como meni na, andrógino ou bicha. Essa é a cabeça do modelo de homem século XXI.
4)Você acredita existir no Brasil espaço para revistas de moda masculina como a ”Arena Homme Plus” ou a “Vogue Hommes Japan”? O tratamento das revistas brasileiras, quanto a moda masculina é satisfatório?
Não temos grana e o público masculino brasileiro, apesar de adorar uma sacanagem em sites pornográficos e de relacionamento, na vida real é muito conservador. Nesse panorama, o nosso miguadíssimo cardápio de publicações de moda masculina, é mais do que satisfatório. Três revistas focadas no público gay, cobrindo muito a moda, nasceram com força e morreram na praia rapidinho. Know how e assunto, temos de sobra, mas do jeito que as coisas andam, uma estréia de Vogue Hommes Brasil, nos moldes da japa, seria suicídio. Duraria pouco. Por isso prefiro que mantenhamos as que temos e aos poucos_como numa estratégia de guerrilha, vamos dando o recado. O Ricardo Oliveiros, quando na Playbaoy, conseguiu emplacar muita coisa, dar serviço, abrir espaço para discutir a moda, mas durou pouco, infelizmente. Mas, em se falando de mídia eletrônica, estou loco loco com a quantidade de sites e blogs focados no homem. O seu, é um exemplo.
5)Vemos menos estilistas se dedicando a criação de moda masculina do que feminina. É uma questão ditada apenas pelo mercado? Quem entre os novos estilistas que fazem moda masculina chama a sua atenção?
Pelo contrário: é maior o número de estudantes de estilismo se aperfeiçoando em moda masculina. Em Brasília, uma estilista focada no feminino, a Stefânia Rosa, publicou o livro “Alfaiataria: Modelagem plana Masculina”, escrevi a orelha. O que rola, na real, é a pouca absorção de novos talentos pelo mercado. Dentre os novos, novíssimos está a R Groove de Ricardo Rique Gonçalves, que ganhou o Prêmio Moda Brasil, no ano passado. O João Pimenta está fazendo apostas no mega caminhão da moda masculina internacional, mexendo com paradigamas, experimentando modelagens femininas para corpos de homens, seguindo uma direção que também é notável na Lanvin Homme, dando uma prova de conexão no movimento internacional. O capixaba Ivan Aguilar, começa um caminho novo em seu trabalho, focando em estilo, qualidade e acabamento. Como você vê, temos muita coisa acontecendo. O Maxime Perelmuter amadureceu e cresceu sua British Colony, dando a volta por cima na crise, mas fopi preciso um longo percurso, longo e difícil em alguns momentos, eu diria. Mas ele deu a volta por cima. Eu fiquei super feliz pelo nosso grande representante da moda masculina carioca. O que falta, na real, por parte da impresan de moda, é um olhar mais apurado e generoso_não complacente, apenas generoso_para com a moda masculina brasuca.
(pergunta clássica aqui do meu blog)
6)Se você tivesse o poder de influências de forma pragmática o que os homens brasileiros vestiriam ou não, quais seriam as peças que você aboliria do guarda-roupa masculino? E quais você faria serem peças “obrigatórias”?
Bem, sorry pela falta de modéstia, mas influência, a gente sempre tem. A visibilidade que eu tenho hoje, no fashion business brasuca, foi conquistada cada centímetro, em 27 anos de janela, de receber “não rola” muitas vezes, de presenciar coleções masculinas serem excluídas dos grandes nomes nas nossas fashion weeks, algumas passaram a ser desfiladas junto com as femininas_enfim, depois de toda essa saga, eu aceito o adjetivo que o mundinho fashion está me outorgando, de “referência em jornalismo de moda no Brasil”. Isso é reconfortante pois durante um tempo me acostumei com a pauleira de ser excluído da fila A, e de brigar por esse lugar com as assessorias. Aos poucos a galera foi enxergando que começava a haver progressos no segmento. O meu posto no front –row, não foi dado_eu já o tinha como editor de moda de veículos fortes como o Caderno Ela de o Globo e de Diretor de Arte e Editor de Conetúdo do programa GNT Fashion, em sua primeira fase, com a Betty Lago. Conquistamos por 2 anos consecutivos 1995/1996, o Prêmio Phytoervas Fashion Awards, na categoria “Programa de Moda na Televisão”, disputando pau-a-pau, com o “MTV Ago GO”. Na temporada como autor –roteirista do VideoShow, a Marcia Leite, querida amiga e pauteira, na época, me passou a incumbência de cobrir, pela primeira vez na história do programa, a Semana de Moda Barrashopping. Foi sucesso. Então,fui ficando com o couro grosso, curtido de porradas, por sempre brigar por mais espaço para o masculino, nas minhas andanças pelas mídias nas quais atuei. Acho que essa estrada me agrega credibilidade, para ter uma certa influência, ainda que muito tímida ainda, no mercado, pois sou Consultor Estratégico de Mercado Masculino, para O Boticário.
Estou esperando há mais de 2 décadas por este zumzum que anda rolando no segmento, essa explosão de sites e boom de blogs focados em moda masculina. Estou esperando por idéias contrárias às minhas há tempos, para que o diálogo, a briga, as opiniões contrárias, possam nos levar a um denominador comum a nós todos, acredito, que é o crescimento de nossa indústria de moda. Na Colombia, em julho, eu me certifiquei, com cabeças de jornalistas e editores europeus, de que “somos o amanhã da moda”, e, mais, temos ainda um tempinho para nos prepararmos, mas nunca podemos dar bobeira, e continuarmos preguiçosos, como outrora. A hora e essa e seu blog, meu caro, passa a ter importância no cenário. Você esta cada vez mais se comprometendo. É hora de deixarmos de ser fashion babies, para nos tornarmos homens adultos, especialistas e nossa moda.
Depois de ser escolhido como curador de masculino para o Prêmio Moda Brasil e também indicado para entregar o prêmio na categoria “Estilista de Moda Masculina”, dizem por aí_(risos)_mas não provam_(risos)_que sou bom no jornalismo de moda masculina, por aqui. Se você, Helenildo acredita nisso, me dê então um voto de confiança, e vamos construir juntos uma crítica de moda para homens saudável e construtiva, para quem um dia, não precisemos ter que dizer a nossos semelhantes, homens brasucas, o que eles devem ou não vestir, abolir de seus guarda-roupas, ou manter como itens obrigatórios. O meu sonho de consumo, é provê-los de ferramentas, desenvolvendo a auto-crítica e estimulando o critério. Dizem que de minha parte, isso é coisa de aquariano & dragão. Ai não posso fazer nada … ou melhor, peço socorro para o ascendente, que é Virgem. Abraços e até a próxima.
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