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Conversa Cool: Lula Rodrigues – 1ª Parte

outubro 31, 2009
Aviso: Respeitando as respostas do Lula Rodrigues e querendo que vocês, leitores, possam ler todas, decidi dividir a entrevistas duas partes.

Ueba_A pessoa que tornou essa expressão um jargão fashion é o entrevistado da Conversa Cool dessa semana. Finalmente publico o meu bate-papo virtual com o Lula Rodrigues, essa figura super carismática, muito conhecida e respeitada no mundo da moda (27 anos de trabalho). Se você for pesquisar no google sobre ele, vai achar vários links onde se comenta sobre seu conhecimento enciclopédico da história da moda, principalmente do vestuário masculino.

Esse jornalista e produtor de moda, tem um blog referência obrigatória quando se fala de moda masculina – eu que o diga, quando comecei a escrever este blog, muitas pessoas logo indicaram o blog dele- participa do programa Lado H, da Fashion Tv Brasil, escreve para o jornal O Globo e o site da Erika Palomino. Além, de fazer muitos outros trabalhos. Deve lançar no primeiro semestre de 2010 o livro “Almanaque da Moda Masculina”, que foi feito para servir como um guia de consulta para o homem comum.
Fiquei muito feliz com o resultado da entrevista, porque ela revela a intenção do meu blog e da seção Conversa Cool, que é a de acompanhar e entender como se desenvolve a moda masculina no Brasil.
1)Há quantos anos você trabalha com moda masculina? Como analisa a evolução da moda masculina brasileira nesse período, levando em consideração o comportamento do consumidor e dos criadores de moda?
Estou de olho na moda masculina desde sempre. A minha primeira sugestão de pauta para o Caderno ELA, de O Globo, minha casa, no final dos 80’s, foi um editorial com o bailarino e coreógrafo americano David Parsons, depois deste, fui contratado como produtor de moda do suplemento. Desde sempre acompanhei a evolução da moda para homens, afinal, sou um deles.
Quando editor de moda do ELA, assumi a moda feminina, que ainda hoje, não deixo de acompanhar, já que o meu foco exclusivamente no homem, rola mais objetivamente, desde o começo dos anos 2000, mais exatamente em 2001, quando comecei a acompanhar o trabalho autoral_tenho varios livros dele_do Mark Simpson, o autor/jornalista inglês, que criou o neologismo metrossexual. A partir dessa época, senti que algo, que eu já vinha acompanhando desde os 80s, estava agora rolando pra valer: o homem urbano estava deveras assumindo sua vaidade, sem medo. Vaidade de homem deixou de ser pecado.
Cai dentro de uma pesquisa enorme, coleciono um grande case “Simpson/metrossexual”, pois estou certo que foi a partir daí, que começou a verdadeira bombação do homem e de seu lifestyle, e não apenas de sua moda em todas as mídias. Este foi definitivamente o meu turning point, em relação ao foco de meu trabalho. Em 2002 quando depois da Copa do Mundo, Simpson entronizou o jogador David Beckham, como modelo de metro man, começou a febre, que, na real, colocou o homem no vortex do furacão de todos os veículos de comunicação. Na verdade, o desenrolar de um processo que, como disse, já havia começado nos anos 80, com a loucura do modismo NewMania, explodindo em Londres, tendo como um dos envolvidos, o estilista Paul Smith. Ueba ! Isso dá muito pano pra manga, é uma longa história, mas está tudo contado no meu livro o Almanaque da Moda Masculina, que sai no primeiro semestre de 2010.
Vejam o link da minha última reunião na Editora Senac Rio, que rolou em 14 de outubro: http://www.youtube.com/watch?v=t1wjogEOa2Q – aqui vão também, os links que contam tudo de minha vida e de meu envolvimento e compromisso, com a moda masculina, e os links da minha cobertura do SPFW, especial para o site da querida Erika Palomino:
Os modelos metro, retro, über duraram até 2005, juro que acabaram, embora muita gente ainda replique suas qualidades e defeitos pelaí, principalmente pelo interior, onde as notícias chegam tarde. No Fantástico, da TV Globo, rolou uma matéria falando do gay people no cangaço ou similar, enfim, são reflexos de tudo isso que para explicar, eu precisaria de muito tempo e espaço.
Assim, embarquei nos estudos da moda do homem, que na real, já acompanho desde 1983, quado ganhei o meu primeiro manual de estilo, o livro “Man and his clothes”, do americano Alan Flusser, um dos pioneiros porque na verdade, o primeirinho manual de moda para homens, rolou no século XVII, acredite se quiser, na Inglaterra, dentro do conteúdo da primeira revista masculina da história.Está tudo no almanaque.Entonces, por estas e por outras, você descobre que o universo masculino, tem que ser entendido como um todo que envolve história, economia enfim, coisas de interesse do homem, para que possamos analisar e, elogiar ou criticar sua moda, se for o caso.
Analizar, entender e criticar uma coleção feminina, não tem nada a ver, não dá conteúdo, para termos um olhar aguçado, para entender as roupas e movimentos da moda para homens. Esse estudo me custou um tempo de certa reclusão da bombação de nosso mundinho fashion. Me recolhi para estudar, mergulhei de verdade no meu arquivo frenético de livros e revistas que coleciono desde o final dos 80’s, uma década marcante na minha vida profissa. Quando voltei à tona, voltei focado no cara, esse sujeito urbano e contemporâneo, atualmente sem rótulos, embora eu acredite que isso não aconteça por muito tempo. Vivemos a Era da Informação e das Aparências, uma revolução de costumes tão importante quanto a Revolução Francesa do século XVIII e a Revolução Industrial, do século XIX. Precisamos de rótulos, legendas e manchetes para mantermos vivos e a todo vapor, os veículos de moda e lifestyle, focados no homem. Em tempos de crise e retirada de circulação de muitas revistas masculinas, temos que fazer uma algazarra, para chamarmos atenção. E, estamos conseguindo, seu blog e esta entrevista, são bons exemplos de que existe uma nova geração de homens, querendo discutir seus próprios costumes. Nessa viagem, para uma cabeça open minded, o que menos conta é a orientação sexual.
Nesses meus 27 anos de janela, a moda masculina brasuca começou a se mexer muito lentamente. A nossa identidade de moda masculina, começa a ser formatada com Luiz de Freitas,o Mr Wonderful, Georges Henri (pai do Maxime Perelmuter) e Gregório Faganelo, no Rio, assim como a Lu Pimenta e sua Tweed, em São Paulo, nos 80’s. A nossa moda para meninos, ganha visibilidade e começo de formatação de uma cara autoral, com Alexandre Herchcovitch, nos 90’s e, explode globalizada, conectada e cosmopolita, com Oskar Metsavaht, a partir dos anos 2000, ainda levando em consideração o crescimento e maturação do Igor de Barros, da VRom e o Mario Querioz, que com sua formação acadêmica, imprime em suas pesquisas, um olhar mais amadurecido do universo do homem urbano de hoje. Mais recentemente, João Pimenta e R Groove e Reserva abrem alas para a difusão do estilo em busca do autoral, de uma identidade, lançando mão de todas as ferramentas modernas para a sua divulgação e comercialização. A Reserva e Maxime Perelmuter, são dois excelentes exemplos de como o estilo de vida do menino do Rio, pode cruzar fronteiras, agregando à nossa cultura de moda praia, um viés de moda para o homem jovem, antenado, em dia com seu tempo. Outro destaque, que infelizmente emperra por falta de grana, é o estilo que Adriana Pacheco, imprime em sua ADPAC, que já desfilou no Rio Moda Hype, um verdadeiro laboratório de idéias novas. Esses para mim, os nomes mais significativos, com imediato recall, não quero dizer, no entanto, que os outros não estejam se posicionando. Que isso fique claro.
O consumidor esta mudando, ainda que devagar, esta se mexendo, experimentando mais, seu comportamento com relação à vanguarda ficou menos defensivo. Sou sim, muito otimista com relação a isso. A nossa realidade globalizada conta a nosso (homens) favor, pois a velocidade da informação de hoje tem aí um papel fundamental. Em 2005 a Osklen botou na passarela a calça dhoti (prefiro o nome original indiano, à saruel) e foi um escândalo. A informação do estilo vinha da Ásia, e não da India, via os festivais de música eletrônica e vídeoart, tais como o Sonar, em Barcelona. A referência estava no ar. O portal WGSN reportou, Oscar Metsavah, captou, se ligou e jogou na passarela, um estilo, que passado o boom das dhotis, continua até hoje, mas discreta e confortável, em suas vitrines. Hedi Slimane, ex-Dior Homme e Marc Jacobs, sabem disso e são fãs da Osklen. Não é fascinante? Isso não é um grande barato, um ueba deluxe? Hehehe.
Agora me conta: qual o bofe que hoje não tem uma skinny e uma dhoti, uma cenoura e afins? Isso faz parte de um processo que cada vez mais se torna mais rapido devido à proliferação das informações de moda. Nossos criadores de moda estão maturando, tem mais recursos, a internet é um desbunde, só não acompanha tudo quem não quer. Não temos como justificar a cópia. Sou vertiginosamente contra. Ao mesmo tempo, o consumidor esta mais consciente e distingue quem esta “replicando”. O homens brasileiros ligados na moda, ainda são poucos, se comparados ao grande geral de básicos, mas o número cresce na medida que o interesse, a informação e a high technology os seduzem. Assim eles já começam ainda que timidamente, a pagar por assinatura autoral, de originalidade.
Mas, aqui pra nós, quase em segredo, o grande publico também quer consumir moda, daí as grandes marcas, como a Renner, a Riachuelo e a C&A, por exemplo, estarem apostando em estilo, pesquisando e colocando nas suas vitrines, interpretações adaptadas à nossa realidade comercial, das grandes tendências. Assim, o que o mundo estará usando na Europa, pode estar na vitrine ao lado de sua casa.
2)Quando seu livro “Almanaque de moda masculina” será lançado? Em um vídeo na internet, você mostra a extensa bibliografia utilizada ao longo de 3 anos de pesquisa. Quais são suas principais intenções com o lançamento desta obra?
O livro está em fase de editoração, acaba de passar pelo copydesk e entra em fase de estudos de design, ilustrações e afins. A previsão de lançamento, é por volta de maio de 2010. Eu não estou preocupado com urgências e sim com qualidade de acabamento e conteúdo. Por isso, o conteúdo abrange de Luis XIV, no século XVII a Barack Obama, no século XXI. Fiquei muito contente em poder citar a primeira década dos anos 2000.
O meu almanque tem que ser um livro barato, acessível aos estudantes. Nunca será um coffee table book, para decorar mesinhas de centro em salas intocáveis. É para ser manuseado, curtido. É referência. Fiquei super contente por ter encontrado em São Paulo, um livro inglês “One hundred years of Menswear”, lançado esse ano, em cuja introdução, a autora Cally Blackman fala de seu conceito sobre a moda masculina de hoje. E, para a minha alegria, tudo bate com o que eu enfoco no Almanaque da Moda Masculina. Me aguardem …ou melhor, aguardem o livro. Eu sou um mero pai coruja.
3) Temos visto uma quantidade enorme de editorias internacinais de moda masculina flertando com a androgenia e o homoerotismo. O que você percebe por trás dessa tendência?
Androginia e moda andam de mão juntas há muito tempo.Tanto para homens, quanto para mulheres, e um bom exemplo é o visual garçonne , mulheres de cabelos curtinhos e ar de menino.Babe, isso rola desde o começo do século XX, com força na Paris dos loucos anos 20. Se dermos tratos a bola, no entanto, vemos que já rolava desde o século XIX. A coisa aconteceu mais “descaradamente” a partir dos anos 1970, quando virou modismo, foi tragado pela música pop com força no rock e registrado pela boca nervosa da moda. O visual de meninos imberbes e de cabelos compridos muda de nome de acordo com as correntes da moda. Hedi Slimane, durante seu reinado na Dior Homme, bombou meninos andróginos e o mundo copiou. Ele não fez mais do que transportar um visual que David Bowie, e outros roqueiros já haviam exercitado muito antes. Um bom exemplo de visual super contemporâneo, é a capa do livro citado acima(One hundred years od Menswear), com Bowie, de terno amarelo, clicada em 1974. Poderia estar tranquilamente nas páginas da Vogue Hommes Japan. Aliás essa revista está virando referência de moda, como exemplo de revista masculina cult e, gay. Mas na real, o segmento gay é o piloto de provas de novas tendências, isso é uma história longa, que merece um longo papo. Um bom exemplo de menino com cara de menina, e que gosta de meninas, é o Ash Stymest, um moloque inglês, hetero convicto, que não liga quando é confundido como menina, andrógino ou bicha. Essa é a cabeça do modelo de homem século XXI.
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